words to remember

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Localização: Lisboa, Solinho da Casa Amarela, Portugal

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Pássaro de Ferro

Pássaro de Ferro
A ponte Caminhos infinitos
Eles vêm
Eles vão
E eu fico, continuo
O caminho
Lenta e abstractamente
Divagando sob os pontos de luz vertiginosos
Vejo mais além
O grande pássaro de ferro
Surge
Mergulha subitamente
o bico nas águas calmas
Esvoaça, chega mais alto
Muda o rumo,
Muda o destino
O voo incandescente
A luz que me perturba
Estarrecida vejo a pureza das chamas
A explosão
E grito...
Desintegração reminescente
O céu continua lá no cimo
As águas, calmas
Eles vêm
Eles vão
E eu continuo
pela ponte da ilusão
No infinito corredor do sonho...

Bla bla bla gramofone

eryka_luna

Bla bla bla deserto

eryka_luna

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Bla bla bla

Subitamente caí no deserto inóspito...
259.199, 259.200 segundos, desde que aqui estou.
Tento não me perder contando os passos perdidos...
A luz cega-me! O calor torna-se insuportável
Desissto....
Caio e embrulho-me na areia.
O deserto e eu , um só.

Deliro enquanto o gramofone aqui plantado,
não pára de soltar palavras que não entendo!

Embrulho-me na areia que me escorre por entre as mãos, os pés ...
quando...
...mas...toco agora algo concreto...
reconheço!! o meu amigo de infância...Lupe!

Abraçámo-nos e decifro as palavras inteligíveis:
"...Não tenhas nada nas mãos, nem uma memória na alma..."

Lupe ficou cheio de contente e subiu!

Subimos para longe dali e sorrimos até ficarmos azuis.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Amanhã, talvez

Se um dia pudesse olhar no espelho e ver o teu sorriso
Passar para o outro lado,
esconder-me no reflexo dos teus olhos,
vêr a tua alma
Se um dia acordasse envolta nos teus braços
e me perdesse...
Se um dia, apenas um dia, ganhasse coragem e te roubasse um beijo
Dar asas ao desejo,
libertar as palavras,
lavar a alma
Levar-te comigo
e viver o sonho
Palavras apenas palavras,
confidentes.
Através delas me exprimo ,
apenas elas me conhecem
tal qual como sou,
como sempre desejei ser
o que nao tive,
o que sempre desejei
Se um dia pudesse abandonar as palavras,
Dominar o tempo, o tempo...
O tempo passa e a vida foge
Minutos, horas, dias, sempre o amanhã
Espera-se pelo próximo momento,
a próxima recordação
O que não é mas poderia ser
O sonho a esperança,
vive-se na ilusão...
Amanhã, talvez quem sabe
Amanhã é muito tempo
É infinito, é loucura
Amanhã talvez, porque hoje é tarde demais.

Vela da solitude

A chama era a esperança
A esperança era a vida
A vida era o caminho
O caminho a incógnita
A chama apagou-se...

Peixinho Dourado

O meu peixinho
rodava, rodava, rodava
em pequenos saltos de esperança
fugir da redoma de vidro
é alta... tão alta!
como poderá sair
o salto para o sonho
dar a vida por alguns segundos
dar a vida por um sonho
sem nunca desistir, tenta...rodopiando...
Em redor, a redoma
sair, saltar
passar o muro de vidro
o meu peixinho dourado
o meu sonho perdido
peixinho da ilusão
reflexo da minha alma
ele e eu
uns segundos por um sonho
Um sonho de vida...

terça-feira, janeiro 11, 2005

Cadernos de Bs.As.::Parte I

29 Janeiro 2002
Buenos Aires::: HOT HOT HOT

Os pingos que simulam chuvinha alternada, que surpreendem nos passeios, que dão vontade de passar por lá e pedir que caiam na face e baixem a temperatura.

O piso sempre uma surpresa de tão irregular e mal condicionado,
papeis, papeis, e mais papeis....tudo no bolso para deitar fora ou mais tarde recordar...
sempre “gracias”, sempre “muchas gracias”...por tudo e por nada.

Os kiosques, as pastilhas, rebuçados, bebidas, muitas, muitas bebidas, muita água.
Destilando e procurando sempre caminhar pela sombra...vai pela sombra, sim!

Locutórios, cyber, água, pastilhas, tabaco, fruta nas caixas, cá fora das lojas, tudo fora das lojas.
A relembrar a confiança já inexistente em Portugal.

“Uma foto consigo que é tão bonita...”, e a minha desconfiança, porquê eu?
Deve ser sacanagem....
O homem que queria saber onde eu vivia, o homem que me queria convidar para uma cerveja na Callao, e outro em Santa Fé....
O barulho de chamar pombos que afinal é para chamar chiccas.
Os velhotes com tanta ruga e olhos quase brancos.

Os putos a pedir ou a passar com ar de pelintras que se fosse em Lisboa eu fugia, mas aqui é tanta gente na rua que passam tantas, que se torna usual.

E os adultos que parecem o “pibe” e os outros que não....

LA Boca tão colorida e afável, e eu que não conseguia tirar fotos
E gostava tanto de ouvir a Guadalupe e que me envergonhava de tentar falar a língua...e ficava muda, e sorria, sorria mesmo sem motivos para tal, e sentia-me a fazer figura de parva.

Em San Telmo que feira linda, os phonografos, as fotos, os vestidos, as pautas, as garrafas, e agora qual levar?...
E a milonga do par na rua, que sensual, que bonito...
E o bairro, e o grupo a tocar jambé e eu a sentir o som a entrar em mim, e eu sem me soltar, sem fotografar...e eu que sentia que estava a roubar ao fotografar e intimidava-me....

E a surpresa do mate, que desconhecia e pensava que era droga e fiz mais uma vez figura de tola.

E todos bebem mate na rua, e vende-se água quente!?
E andar em tronco nú, e elas de bikini como na praia em todos os espaços verdes,
Porque tenho praia muito perto e aqui fica a 400 Km.

Tudo a jogar à bola, a fazer palhaçadas, no meio das avenidas, dura o ganho enquanto o sinal não muda.
E as gorjas para todos, porque fazem o seu trabalho e os salários são baixos por aqui.

E o comboio e as filas enormes, enoooooormes mesmo!
À procura de quem dá mais.
E ninguém troca notas e tudo são máquinas de moedas.

E a velhota em San Telmo que toca tambores e tudo de plástico.

Os páteos interiores lindos convertidos em espaços comerciais.
Comércio, muito comércio, os passeios maus mas sempre com acessos para deficientes.

Chega-se ao meio da rua e volta-se para trás pelo trânsito, e o trânsito volta atrás nas passadeiras, pelas pessoas.

A bijutaria, mais e mais e mais, chinelos havaianas, de todas as cores.

E a miúda que me estende a mão no subte me dá um beijo e passa-me o nosso senhor de coração nas mãos para as minhas e eu digo “no quiero” e se vai...

Voar para trás – II parte

Não vive
quem sonha
Nao vive
quem trabalha
no compasso diário
regido pela convenção.
Não vive o pobre
Porque,
o pobre,
não podeser feliz.
Sem TV
DVD, CD,HP, GT
Sem pão
nem tostão
com amor
compaixão
E cheio o coração...
Não vive,
o pobre,
Porque
o pobre
não pode
ser feliz
Porque temos
a TVo DVD, CDHP, GT
Pão no lixo
American Express,
a casa cheia,
o frigo cheio,
o Micro-Waves
o fast-food
e a empregada a dias;
A vida cheia,
tão cheia
Que não nos conseguimos mexer....
Sempre em frente é que é caminho
com palas nos olhos,
Em frente é que é.
Com a cabeça cheia,
o estômago cheio,
o coração apertado,
tão apertado
tão vazio
que duvido que lá esteja
O pobre
não pode
ser feliz,
Porque não o conseguimos ser.

Voar para trás – I parte

Voar para trás
És capaz?
De lado,
esquerdo
direito.
Mas nunca de frente
Que não se sabe o que lá vem.
E marrar assim,
de repente
com o desconhecido
não convém....
De lado se vai espreitando
apalpando
com o que vê
não se sente.
Tentando adivinhar,
reinventando
profecias impossíveis
se não voa...
De frente,
como a gente
que leva tabefos
da vida.
Que lhe aparece assim de repente
do lado esquerdo,
do direito
Por andar a direito,
Quem sabe...
Voar de trás,
O que ficou
já não se recorda
E revive-senum cemitério de emoções
num álbum da vida
reinventada,
pintada
com as cores
cheiros e sabores
que gostaríamos
de ter sido,
vivido
E não vive
Quem recorda.

Viver no Eco do momento.::.28_05_2003

Ecoa,
movimento na cabeça
A ressonância das memórias
Relembrar, aqui e ali
O som traz o passado
E sonhas
O que será
O que farás?
O eco traz as memórias
do que foi, já era, será
Talvez...
O que se passou...
Entendes?
Em vão.
O que será?
Sabes?
E assim passas o momento
O presente
O que é, já não é mais
Viver no eco do momento
Passou, já não é mais
O que nunca foi
O presente.
Um presente da vida
A vida não vivida.
Na solidão
No Eco
do momento
Um presente:
O Presente para ti.

Vinca a tinta no papel

A liquidez
Instantânea, repetida
Diluída, nos pensamentos
Ou vice-versa?
Solta a linha
Corre a tinta
O que sentes?
O que escreves?
Liberta, grita
Vinca a tinta no papel
Que aqui ninguém manda
Nem censura
Nem ditadura
Liberdade a granel
Liberdade é no papel.

E se leres, o silêncio vale?

Risco, linha, ponto
Ponto por ponto
Cada letra que se junta
Para dizer?
Para escrever
O quê?
A sairem, as palavras
O silêncio
Fica na escrita
Se não falo.
Escrevo
Fica para mim
Só para mim?
E se leres,
O silêncio vale?
Vale mais,
As palavras levam-nas o vento
Disse, voou, passou
Escreveu, registou, guardou.
Até queimar, rasgar, destruir.
E fica na memória,
Na alma,
Para sempre...Registo Intemporal.

Contabilidade

Quantos somos?
Quantos fomos?
Quantos ficam?
Quantos vão?
A estatística da vida
Contabilidade perdida
Escrita
Nas linhas da mão.

Beijo

Guardei-te um beijo,
E escondi-o no bolso
Apertei com força para não fugir
Troco um beijo por um sorriso
Sorriste, e eu fiquei.