words to remember
Acerca de mim

- Nome: MamaBe
- Localização: Lisboa, Solinho da Casa Amarela, Portugal
segunda-feira, junho 13, 2005
sexta-feira, abril 15, 2005
Gostava de ser uma lesma_________________...
Gostava de ser uma lesma.
sinto-me um caracol, com este peso às costas
onde escondo, o q carrego
o que não é meu, ou será?
o que não escolhi, erros, falhas de outros,vidas de outros, outras vidas
escondo nas casca a vida dos outros, caminhos não escolhidos, nascidos
não escolhes onde nasces, não escolhes com quem nasces
mas tens de viver com isso
na casca.
para sempre.
gostava de ser uma lesma
partir a casca sair do ovo
libertar a vida
mudar o passado
e a linha do tempo não pára, não espera
e não se esquece o que não é nosso, ou que foi um dia
onde nasceste, sem o escolher.
basta-me o ser o que escolher
sem poder apagar as escolhas os outros
as vidas dos outros
que carrego
entenderás um dia?entenderei?
gostava de contar
um dia
ganhar a coragem
mostrar o que tenho dentro da casca,o que não conto, o que carrego,e ser livre dos outros, das vidas
das minhas
das deles
sem mágoa, aceitando a diferença
aceitando o passado
o que fui, onde fui, onde cresci, onde vivi, com quem.
sem saber o dia de amanhã, o hoje
à distância são caminhos, foram
dos que me afastei sem deixar de ver
e fui feliz nesse tempo da diferença, da indiferença
e ninguem entende muito bem como
apenas quem partilhou
mas sabem, e sinto que o fui, que o fomos
num outro tempo
sei que fui feliz, na diferença, na indiferença
era um mundo, aparte, por vezes
corria a diferença,corriam os anos, corria...eu
evitava e desmentia, a diferença, que só existe se nisso acreditarmos
mas sabendo que não o é bem assim
e hoje tenho esse mundo aparte,guardado na casca
e pesa não o poder mostrar como vi
segregação, passada, presente
segregada por mim, do passado
a não aceitação, sem perceber se é minha, se é dos outros, se é real, se não é
é um real sufoco, angústia
Será que um dia entendes, compreendes aceitas?
Será que um dia aceito?...
sexta-feira, janeiro 21, 2005
Pássaro de Ferro
Pássaro de Ferro
A ponte Caminhos infinitos
Eles vêm
Eles vão
E eu fico, continuo
O caminho
Lenta e abstractamente
Divagando sob os pontos de luz vertiginosos
Vejo mais além
O grande pássaro de ferro
Surge
Mergulha subitamente
o bico nas águas calmas
Esvoaça, chega mais alto
Muda o rumo,
Muda o destino
O voo incandescente
A luz que me perturba
Estarrecida vejo a pureza das chamas
A explosão
E grito...
Desintegração reminescente
O céu continua lá no cimo
As águas, calmas
Eles vêm
Eles vão
E eu continuo
pela ponte da ilusão
No infinito corredor do sonho...
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Bla bla bla
Subitamente caí no deserto inóspito...
259.199, 259.200 segundos, desde que aqui estou.
Tento não me perder contando os passos perdidos...
A luz cega-me! O calor torna-se insuportável
Desissto....
Caio e embrulho-me na areia.
O deserto e eu , um só.
Deliro enquanto o gramofone aqui plantado,
não pára de soltar palavras que não entendo!
Embrulho-me na areia que me escorre por entre as mãos, os pés ...
quando...
...mas...toco agora algo concreto...
reconheço!! o meu amigo de infância...Lupe!
Abraçámo-nos e decifro as palavras inteligíveis:
"...Não tenhas nada nas mãos, nem uma memória na alma..."
Lupe ficou cheio de contente e subiu!
Subimos para longe dali e sorrimos até ficarmos azuis.
quarta-feira, janeiro 12, 2005
Amanhã, talvez
Se um dia pudesse olhar no espelho e ver o teu sorriso
Passar para o outro lado,
esconder-me no reflexo dos teus olhos,
vêr a tua alma
Se um dia acordasse envolta nos teus braços
e me perdesse...
Se um dia, apenas um dia, ganhasse coragem e te roubasse um beijo
Dar asas ao desejo,
libertar as palavras,
lavar a alma
Levar-te comigo
e viver o sonho
Palavras apenas palavras,
confidentes.
Através delas me exprimo ,
apenas elas me conhecem
tal qual como sou,
como sempre desejei ser
o que nao tive,
o que sempre desejei
Se um dia pudesse abandonar as palavras,
Dominar o tempo, o tempo...
O tempo passa e a vida foge
Minutos, horas, dias, sempre o amanhã
Espera-se pelo próximo momento,
a próxima recordação
O que não é mas poderia ser
O sonho a esperança,
vive-se na ilusão...
Amanhã, talvez quem sabe
Amanhã é muito tempo
É infinito, é loucura
Amanhã talvez, porque hoje é tarde demais.
Vela da solitude
A chama era a esperança
A esperança era a vida
A vida era o caminho
O caminho a incógnita
A chama apagou-se...
Peixinho Dourado
O meu peixinho
rodava, rodava, rodava
em pequenos saltos de esperança
fugir da redoma de vidro
é alta... tão alta!
como poderá sair
o salto para o sonho
dar a vida por alguns segundos
dar a vida por um sonho
sem nunca desistir, tenta...rodopiando...
Em redor, a redoma
sair, saltar
passar o muro de vidro
o meu peixinho dourado
o meu sonho perdido
peixinho da ilusão
reflexo da minha alma
ele e eu
uns segundos por um sonho
Um sonho de vida...
terça-feira, janeiro 11, 2005
Cadernos de Bs.As.::Parte I
29 Janeiro 2002
Buenos Aires::: HOT HOT HOT
Os pingos que simulam chuvinha alternada, que surpreendem nos passeios, que dão vontade de passar por lá e pedir que caiam na face e baixem a temperatura.
O piso sempre uma surpresa de tão irregular e mal condicionado,
papeis, papeis, e mais papeis....tudo no bolso para deitar fora ou mais tarde recordar...
sempre “gracias”, sempre “muchas gracias”...por tudo e por nada.
Os kiosques, as pastilhas, rebuçados, bebidas, muitas, muitas bebidas, muita água.
Destilando e procurando sempre caminhar pela sombra...vai pela sombra, sim!
Locutórios, cyber, água, pastilhas, tabaco, fruta nas caixas, cá fora das lojas, tudo fora das lojas.
A relembrar a confiança já inexistente em Portugal.
“Uma foto consigo que é tão bonita...”, e a minha desconfiança, porquê eu?
Deve ser sacanagem....
O homem que queria saber onde eu vivia, o homem que me queria convidar para uma cerveja na Callao, e outro em Santa Fé....
O barulho de chamar pombos que afinal é para chamar chiccas.
Os velhotes com tanta ruga e olhos quase brancos.
Os putos a pedir ou a passar com ar de pelintras que se fosse em Lisboa eu fugia, mas aqui é tanta gente na rua que passam tantas, que se torna usual.
E os adultos que parecem o “pibe” e os outros que não....
LA Boca tão colorida e afável, e eu que não conseguia tirar fotos
E gostava tanto de ouvir a Guadalupe e que me envergonhava de tentar falar a língua...e ficava muda, e sorria, sorria mesmo sem motivos para tal, e sentia-me a fazer figura de parva.
Em San Telmo que feira linda, os phonografos, as fotos, os vestidos, as pautas, as garrafas, e agora qual levar?...
E a milonga do par na rua, que sensual, que bonito...
E o bairro, e o grupo a tocar jambé e eu a sentir o som a entrar em mim, e eu sem me soltar, sem fotografar...e eu que sentia que estava a roubar ao fotografar e intimidava-me....
E a surpresa do mate, que desconhecia e pensava que era droga e fiz mais uma vez figura de tola.
E todos bebem mate na rua, e vende-se água quente!?
E andar em tronco nú, e elas de bikini como na praia em todos os espaços verdes,
Porque tenho praia muito perto e aqui fica a 400 Km.
Tudo a jogar à bola, a fazer palhaçadas, no meio das avenidas, dura o ganho enquanto o sinal não muda.
E as gorjas para todos, porque fazem o seu trabalho e os salários são baixos por aqui.
E o comboio e as filas enormes, enoooooormes mesmo!
À procura de quem dá mais.
E ninguém troca notas e tudo são máquinas de moedas.
E a velhota em San Telmo que toca tambores e tudo de plástico.
Os páteos interiores lindos convertidos em espaços comerciais.
Comércio, muito comércio, os passeios maus mas sempre com acessos para deficientes.
Chega-se ao meio da rua e volta-se para trás pelo trânsito, e o trânsito volta atrás nas passadeiras, pelas pessoas.
A bijutaria, mais e mais e mais, chinelos havaianas, de todas as cores.
E a miúda que me estende a mão no subte me dá um beijo e passa-me o nosso senhor de coração nas mãos para as minhas e eu digo “no quiero” e se vai...
Voar para trás – II parte
Não vive
quem sonha
Nao vive
quem trabalha
no compasso diário
regido pela convenção.
Não vive o pobre
Porque,
o pobre,
não podeser feliz.
Sem TV
DVD, CD,HP, GT
Sem pão
nem tostão
com amor
compaixão
E cheio o coração...
Não vive,
o pobre,
Porque
o pobre
não pode
ser feliz
Porque temos
a TVo DVD, CDHP, GT
Pão no lixo
American Express,
a casa cheia,
o frigo cheio,
o Micro-Waves
o fast-food
e a empregada a dias;
A vida cheia,
tão cheia
Que não nos conseguimos mexer....
Sempre em frente é que é caminho
com palas nos olhos,
Em frente é que é.
Com a cabeça cheia,
o estômago cheio,
o coração apertado,
tão apertado
tão vazio
que duvido que lá esteja
O pobre
não pode
ser feliz,
Porque não o conseguimos ser.
Voar para trás – I parte
Voar para trás
És capaz?
De lado,
esquerdo
direito.
Mas nunca de frente
Que não se sabe o que lá vem.
E marrar assim,
de repente
com o desconhecido
não convém....
De lado se vai espreitando
apalpando
com o que vê
não se sente.
Tentando adivinhar,
reinventando
profecias impossíveis
se não voa...
De frente,
como a gente
que leva tabefos
da vida.
Que lhe aparece assim de repente
do lado esquerdo,
do direito
Por andar a direito,
Quem sabe...
Voar de trás,
O que ficou
já não se recorda
E revive-senum cemitério de emoções
num álbum da vida
reinventada,
pintada
com as cores
cheiros e sabores
que gostaríamos
de ter sido,
vivido
E não vive
Quem recorda.
Viver no Eco do momento.::.28_05_2003
Ecoa,
movimento na cabeça
A ressonância das memórias
Relembrar, aqui e ali
O som traz o passado
E sonhas
O que será
O que farás?
O eco traz as memórias
do que foi, já era, será
Talvez...
O que se passou...
Entendes?
Em vão.
O que será?
Sabes?
E assim passas o momento
O presente
O que é, já não é mais
Viver no eco do momento
Passou, já não é mais
O que nunca foi
O presente.
Um presente da vida
A vida não vivida.
Na solidão
No Eco
do momento
Um presente:
O Presente para ti.
Vinca a tinta no papel
A liquidez
Instantânea, repetida
Diluída, nos pensamentos
Ou vice-versa?
Solta a linha
Corre a tinta
O que sentes?
O que escreves?
Liberta, grita
Vinca a tinta no papel
Que aqui ninguém manda
Nem censura
Nem ditadura
Liberdade a granel
Liberdade é no papel.
E se leres, o silêncio vale?
Risco, linha, ponto
Ponto por ponto
Cada letra que se junta
Para dizer?
Para escrever
O quê?
A sairem, as palavras
O silêncio
Fica na escrita
Se não falo.
Escrevo
Fica para mim
Só para mim?
E se leres,
O silêncio vale?
Vale mais,
As palavras levam-nas o vento
Disse, voou, passou
Escreveu, registou, guardou.
Até queimar, rasgar, destruir.
E fica na memória,
Na alma,
Para sempre...Registo Intemporal.




